Notícia

 
5.ago.2015

Demétrio Magnoli, lança livro “A Hora e a História” em bate-papo, no Graciosa.

“Na América Latina, as principais correntes de esquerda não são cosmopolitas e internacionalistas, como na Europa. Sob a influência da doutrina anti-imperialista, elas são antiamericanas e nacionalistas. Além disso, sob o influxo do caudilhismo e do populismo, a referência central da esquerda latino-americana não é a classe social (os trabalhadores), mas uma entidade altamente abstrata: o povo. O PT oscilou, inicialmente, entre a esquerda europeia e a latino-americana, até optar pela segunda”.

A análise é feita por Demétrio Magnoli, no seu novo livro “A Hora e a História”, cujo lançamento nacional será realizado em 20 de agosto durante a palestra, “Há futuro? Cenários políticos na hora da Lava Jato”, que ocorrerá no Graciosa Country Club.

Em tempos de tempestade as vozes que se levantam são muitas. A maioria delas expressando pavor e confusão, outras estrondeando o que Shakespeare chamou de “…som e fúria, significando nada”…  E na procela desencadeada pela Operação Lava Jato, precisamos ouvir as vozes dos que conservam a sensatez: um detentor destacado dessa qualidade necessária é Demétrio Magnoli. Sociólogo, doutor em Geografia Humana pela USP, integra o Grupo de Análises da Conjuntura Internacional da USP (Gacint-USP). É colunista dos jornais Folha de São Paulo e O Globo, e comentarista de Política Internacional do Jornal das Dez da Globo News.

Mas, como apenas sensatez é insuficiente na insanidade reinante, Demétrio soma às suas grandes qualidades intelectuais e acadêmicas um desassombro que assombra os que dele discordam, e diverte e consola os que com ele concordam.

Virá a Curitiba, a convite do Graciosa Country Club pelo seu projeto Pensando o Brasil, em parceria com o UniBrasil Centro Universitário e a B’nai B’rith, instituição humanitária judaica criada há 170 anos.

Discorrerá sobre tema que mobiliza a todos, já que, como fantasmas nos melhores castelos ingleses, a corrupção sempre esteve entre nós e nunca pareceu existir como fato constatável, provável e punível. Em todos os bares e em todos os lares o tema é discutido, não em sussurros, mas, às vezes aos berros: Fulano roubou! Cicrano roubou mais! Beltrano não tinha nada e está rico! Todos os nomes são conhecidos, todos os crimes são descritos, todas as quantias são especificadas, e nada decorre disso, como se fosse ato divino contra o qual não há o que fazer.

Não parecia haver, pelo menos. Durante grande parte de nossa História aconteceram denúncias, devassas, até prisões; os “mares de lama” que periodicamente vieram a público chegaram a causar a morte de um presidente e o impedimento de outro. Mas faltava método a essa loucura, as investigações e julgamentos careciam de estrutura, e sua gênese não raro era eivada de parcialidade, mirando apenas determinada pessoa ou grupos sem tocar na raiz profunda da questão.

A partir da promulgação da Constituição de 1988, a maior autonomia do Poder Judiciário e o protagonismo de um Ministério Público independente, aliados à indispensável liberdade de informação e opinião, mudaram esse quadro de forma sensível. O julgamento do “mensalão” pelo STF e a operação Lava Jato, em curso, são exemplos claros.

Ainda quedamos perplexos com muitas ocorrências quase diárias na Lava Jato. Alguns dos maiores empreiteiros do país e seus executivos amargam cadeia como qualquer ladrão plebeu, políticos são denunciados com provas acachapantes, delatores de alto calibre entregam tudo e todos, quantidades industriais de dólares e reais circulam ilicitamente no país e no exterior, a República parece estremecer.

À perplexidade soma-se um sentimento difuso de “agora a coisa vai”, como se tudo começasse e fosse terminar ali, punindo-se os culpados, recuperando-se o dinheiro público, restaurando-se a moralidade. A realidade, no entanto, é muito mais complexa que isso, envolve devidos processos legais, direitos de defesa, apresentação e contestação de provas, julgamentos que devem obrigatoriamente ser isentos. Se os ritos da Justiça não forem cumpridos com rigor tudo pode se tornar um simulacro de justiça, movido por mero desejo de vingar uma nação que se sente espoliada. Merecemos um país melhor.

Wanda Camargo – educadora e assessora da presidência do Complexo de Ensino Superior do Brasil – UniBrasil.

 

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